Sábado, Agosto 22, 2009

Do silêncio


Jamais imaginei, ao quebrá-lo,
encontrar tantos pedaços partidos
(dentro de mim)

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Da crise


Não sei quem partiu primeiro:
se os pássaros que viviam em mim
ou a imaginação.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Da memória


os que guardam a minha memória,
vivem dentro de mim.

do lado de fora, são saudade.

o tempo, veloz, amadurece
os dias que já foram meus.

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Das sombras


No início, pensei: são os meus opostos.


Depois, a pergunta: seriam as minhas vidas? (nunca soube)


Tarde demais, descubro: são as minhas despedidas.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Da travessia II


O coração chegou antes

de os meus braços alcançarem o mar

Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Do mistério


Absolver o silêncio
é confessar segredos

Domingo, Novembro 23, 2008

Dos mares


Sei dos movimentos das águas
Sei das cicatrizes do sal
Sei das minhas retinas ensolaradas
Sei das noites nos meus ossos
Sei da sede da minha alma

O que eu não sei
é da dor dos barcos

Sexta-feira, Outubro 17, 2008

Do fim


sob a pele da palavra
os ossos quebram
na memória do que vivi

o que atravessa o presente
não amanhece
para se tornar passado

Quarta-feira, Outubro 01, 2008

Dos fragmentos

Em teus tecidos
desatam os nós.
Amadurecemos.

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Da travessia


No arco verde
(da íris)
amanhece
os cheiros do esquecimento